Aconteceu em 27 de julho de 2026, no Palácio da Cultura (Matozinhos/MG) o evento “Diálogos entre Saberes Acadêmicos e Ancestrais: Unindo Esforços para Conservação do Cerrado”, que propôs um encontro singular entre diferentes formas de conhecer e cuidar do bioma Cerrado. Neste evento, pesquisadores de universidades, gestores de unidades de conservação, representantes de comunidades quilombolas, povos de terreiro, associações culturais e guardas de congado se reuniram para compartilhar saberes, experiências e práticas que, juntos, constroem caminhos para a conservação desse patrimônio natural e cultural.
Eu falei sobre a pesquisa de doutorado que desenvolvo no território de Mocambeiro: como eu percebo as estruturas acadêmicas que conformam o Doutorado em Design e os caminhos teóricos que escolhi para desenhar o percurso narrativo das práticas que vivenciei nesse período - e muito antes, desde o ano 2000 - naquele território.
Fotos: Amanda Souza e Cláudia Barbosa
Participei da Edição XI do Coloquio Internacional Investigadores en Diseño, que integrou a Semana Internacional de Diseño da Universidad de Palermo (UP). O evento está sendo realizado em formato virtual entre os dias 21 e 31 de julho de 2026.
Nossa apresentação ocorreu na sexta-feira, dia 24 de julho, durante o Seminario de estudios avanzados en diseño internacional V. Levamos para o debate internacional o nosso trabalho conjunto, intitulado "Design Pluriversal: Entre Futuros, Territórios e Grafias Negras".
Este painel é fruto do nosso trabalho no Programa de Pós-Graduação em Design (PPGD) da UEMG, sob a orientação da brilhante Profª. Drª. Marcelina das Graças de Almeida. Ao lado das minhas colegas pesquisadoras, unimos diferentes frentes de estudo:
Ana Paula Medeiros Teixeira dos Santos trouxe suas reflexões sobre o design de futuros a partir de uma perspectiva amefricana, focando no afrofuturismo e futurismos indígenas;
Tatiana de Castro e Souza abordou as narrativas e contranarrativas transmitidas por mulheres negras através da produção de objetos artesanais;
E eu tive a oportunidade de apresentar o desdobramento da minha pesquisa em designantropologia, focada no distrito de Mocambeiro.
No meu momento de fala, compartilhei a essência do meu trabalho: investigar as relações da comunidade de Mocambeiro (em Matozinhos - MG) com o seu ambiente, destacando o papel central e muitas vezes invisibilizado das mulheres.
A pesquisa constata que essas mulheres são detentoras de saberes essenciais sobre o território, estando à frente da produção de alimentos e das práticas curativas com plantas medicinais. Apesar desse profundo saber-fazer, essas informações raramente são reconhecidas pela produção científica tradicional. Por meio de práticas de correspondência e escuta atenta, o estudo busca tecer e valorizar esses registros de inteligência ambiental feminina.
Apresentar este trabalho e debater com pesquisadores de diversas partes do mundo fortalece nosso compromisso com a pesquisa regenerativa. Deixo o meu agradecimento especial às minhas colegas, à nossa orientadora e à CAPES pela concessão da bolsa que viabiliza esse trabalho.
Abaixo, compartilho o link para download do texto que produzimos: